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CBC - Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões - Journal of the Brazilian College of Surgeons

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Ano 2018 - Volume 45 Número 2
Março / Abril

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Artigo Original

Influência da idade avançada sobre a evolução pós-operatória e a perda total da reconstrução mamária: análise crítica de 560 reconstruções

Influence of advanced age on postoperative outcomes and total loss following breast reconstruction: a critical assessment of 560 cases

Walter Koiti Matsumoto; Alexandre Mendonça Munhoz; Alberto Okada; Eduardo Montag; Eduardo Gustavo Arruda; Alexandre Fonseca; Orlando Ferrari; José Augusto Brasil; Lia Pretti; José Roberto Filassi; Rolf Gemperli, TCBC-SP

Rev. Col. Bras. Cir. 2018;45(2):1-9; e1616

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OBJETIVO: avaliar o papel da idade no risco de complicações pós-operatórias de pacientes submetidas à reconstrução mamária unilateral pós-mastectomia, com ênfase na perda total da reconstrução.
MÉTODOS: estudo retrospectivo de pacientes submetidas à reconstrução mamária, cujas variáveis incluídas foram: dados oncológicos e da técnica de reconstrução, complicações pós-operatórias, incluindo perda da reconstrução e complicações da ferida operatória. As pacientes foram divididas de acordo com a classificação da Política Nacional do Idoso e Estatuto do Idoso em dois grupos: jovens (idade <60 anos) e idosas (60 anos ou mais). Também foram agrupadas de acordo com a classificação da Organização Mundial da Saúde: jovens (idade <44 anos); meia-idade (idade 45-59 anos); idosas (idade 60-89 anos) e velhice extrema (90 anos ou mais). A classificação do risco cirúrgico da Sociedade Americana de Anestesiologistas foi aplicada para investigar o papel do estado físico pré-operatório como possível preditor de complicações.
RESULTADOS: das 560 pacientes operadas, 94 (16,8%) apresentavam 60 anos ou mais. Observou-se taxa de complicações locais de 49,8%, a maioria, limitadas. As incidências de necrose, infecção e deiscência foram de 15,5%, 10,9% e 9,3%, respectivamente. Pacientes com 60 anos ou mais apresentaram chance de complicação 1,606 vezes maior do que as jovens. Quarenta e cinco (8%) pacientes apresentaram perda da reconstrução e não houve diferença estatisticamente significante na média de idade das pacientes que apresentaram ou não esse desfecho (p=0,321).
CONCLUSÃO: em pacientes selecionadas, a reconstrução mamária pode ser considerada segura; a maioria das complicações documentadas foi limitada e pode ser tratada conservadoramente.


Palavras-chave: Procedimentos Cirúrgicos Reconstrutivos. Mastectomia. Grupos Etários. Complicações Pós-Operatórias. Neoplasias da Mama.

O retalho do músculo peitoral maior nas reconstruções em Cirurgia de Cabeça e Pescoço: análise crítica

Pectoralis major myocutaneous flap in Head And Neck Surgery reconstructions: critical analysis

Marcelo Benedito Menezes, TCBC-SP; Kassem Samir Saleh; Marianne Yumi Nakai; Lucas Porto Maurity Dias; Norberto Kodi Kavabata; Antônio José Gonçalves, TCBC-SP

Rev. Col. Bras. Cir. 2018;45(2):1-4; e1682

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OBJETIVO: avaliar os resultados do uso do retalho de músculo peitoral maior nas reconstruções de cirurgias de cabeça e pescoço.
MÉTODOS: estudo retrospectivo com análise de banco dados e revisão de prontuários de pacientes com câncer de cabeça e pescoço operados na Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Departamento de Cirurgia da Santa Casa de São Paulo em um período de 16 anos, utilizando-se o retalho de músculo peitoral maior para reconstrução. Foram analisados idade, sexo, sítio primário da neoplasia, estadiamento clínico, radioterapia (RT) pré-operatória e as complicações encontradas, classificadas em maiores e menores.
RESULTADOS: a casuística foi de 92 pacientes, dos quais 86 (93,5%) eram homens; a média de idade foi de 61,39 (dp±11,35) anos; os sítios primários mais acometidos foram boca em 35 casos (38%); orofaringe em 21 casos (22,8%) e laringe em 18 casos (19,6%). A maioria dos pacientes encontrava-se no estádio IV (88/92; 95,6%) e apenas quatro (4,3%) tinham realizado a RT pré-operatória. A taxa global de complicações foi de 48,9%, mas apenas 6,5% caracterizadas como complicações maiores. Na análise estatística univariada, não foram encontrados fatores relacionados à ocorrência das complicações. Apenas o sítio primário da neoplasia apresentou significância marginal (p=0,06).
CONCLUSÃO: o retalho de músculo peitoral maior é seguro, com poucas perdas completas e eficaz nas reconstruções em cirurgias de cabeça e pescoço, com baixas taxas de complicações maiores, sendo uma opção a ser considerada.


Palavras-chave: Neoplasias de Cabeça e Pescoço. Retalho Miocutâneo. Músculos Peitorais. Complicações Pós-Operatórias.

O impacto da terapia física descongestiva e da bandagem elástica no controle da dor de pacientes com úlceras venosas

The impact of decongestive physical therapy and elastic bandaging on the control of pain in patients with venous ulcers

Geraldo Magela Salomé; Lydia Masako Ferreira, TCBC-SP

Rev. Col. Bras. Cir. 2018;45(2):1-9; e1385

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OBJETIVO: avaliar a dor em indivíduos com úlceras venosas tratadas com bandagem elástica e com terapia física descongestiva.
MÉTODOS: foram estudados 90 pacientes, divididos em três grupos com 30 pacientes cada: grupo tratado com bandagem elástica e terapia física descongestiva; grupo tratado com bandagem elástica; e grupo tratado sem bandagem elástica e com curativo primário conforme o tipo de tecido e exsudato. Utilizou-se a Escala Numérica de Dor para quantificar a intensidade da dor e o Questionário de Dor de McGill para a avaliação qualitativa da dor.
RESULTADOS: na primei ra avaliação, todos os pacientes que participaram do estudo relataram dor intensa. Na quinta avaliação, a maioria dos pacientes tratados com bandagem elástica e terapia física descongestiva não relatou dor; a maioria dos pacientes do grupo da bandagem elástica relatou dor leve; e a maioria dos pacientes tratados apenas com curativo primário relatou dor leve a moderada. A maioria dos pacientes dos grupos bandagem elástica e curativo primário, nas cinco avaliações realizadas através do questionário de McGill, utilizou descritores dos grupos sensorial, afetivo, avaliativo e miscelânea para descrever a dor. Porém, na quarta e quinta avaliações, a maioria dos pacientes do grupo bandagem elástica e terapia física descongestiva não utilizaram nenhum dos descritores.
CONCLUSÃO: os pacientes tratados com terapia física descongestiva e bandagem elástica apresentaram melhora da dor a partir da terceira avaliação realizada.


Palavras-chave: Úlcera da Perna. Úlcera Varicosa. Bandagens Compressivas. Modalidades de Fisioterapia. Medição da Dor.

Fatores associados à variação da creatina fosfoquinase (CPK) em pacientes vítimas de trauma, submetidos à "Onda Vermelha", com evolução à rabdomiólise

Factors associated with changes in creatine phosphokinase (CPK) in trauma patients submitted to the "Red Wave", with evolution to rhabdomyolysis

Mario Pastore Neto; Rafael Valério Gonçalves; Carla Jorge Machado; Vivian Resende, TCBC-MG

Rev. Col. Bras. Cir. 2018;45(2):1-9; e1604

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OBJETIVO: identificar e analisar fatores associados à variação dos níveis plasmáticos de creatina fosfoquinase (CPK) em vítimas de trauma com evolução à rabdomiólise.
MÉTODOS: estudo longitudinal prospectivo, com 50 pacientes que seguiram para o protocolo "Onda Vermelha", com evolução à rabdomiólise, após admissão hospitalar. Foram estudadas as variáveis: idade, sexo, escores, mecanismo e desfecho de trauma, CPK na admissão e final, intervalos de dias entre as avaliações laboratoriais, realização de cirurgia e complicações. Os valores da CPK foram estratificados em <500U/L; ≥500 - <1000 U/L; ≥1000U/L, com cálculo da diferença entre os valores inicial e final.
RESULTADOS: à admissão, 83% dos pacientes (n=39) apresentavam CPK≥1000U/L, com predomínio de trauma contuso e lesão torácica (p<0,05), além de fratura ortopédica, lesão renal aguda e hemorragia digestiva, sendo que a CPK era menor naqueles sem lesão renal aguda, com tendência à significância estatística. Não houve diferenças na estratificação por CPK final. Fatores que se revelaram independentemente associados à maior variação da CPK foram, positivamente, o tempo de internação superior a uma semana e síndrome compartimental, e negativamente, lesão renal aguda.
CONCLUSÃO: como achado, nível de CPK de 1000U/L permanece como limite inferior, com importância à intervenção precoce em condições de agravamento do quadro, como hemorragia digestiva, lesão renal aguda e síndrome compartimental, que implicaram maiores diferenças absolutas entre CPK inicial e final, além do trauma contuso, lesão torácica e fratura ortopédica.


Palavras-chave: Rabdomiólise. Creatina Quinase. Serviços Médicos de Emergência.

Perfil antropométrico e clínico de pacientes pós-bariátricos submetidos a procedimentos em cirurgia plástica

Anthropometric and clinical profiles of post-bariatric patients submitted to procedures in plastic surgery

Simone Corrêa Rosa; Jefferson Lessa Soares de Macedo, TCBC-DF; Luiz Augusto Casulari; Lucas Ribeiro Canedo; João Vitor Almeida Marques

Rev. Col. Bras. Cir. 2018;45(2):1-10; e1613

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OBJETIVO: avaliar o perfil de pacientes submetidos à cirurgia plástica pós-bariátrica no Hospital Regional da Asa Norte, Brasília, DF.
MÉTODOS: estudo prospectivo, descritivo e analítico de pacientes submetidos à gastroplastia em Y- Roux e, posteriormente, à cirurgia plástica, no período de janeiro de 2011 a dezembro de 2016. Foram avaliados o índice de massa corporal antes da gastroplastia e depois da cirurgia plástica, as complicações pós-operatórias e as comorbidades.
RESULTADOS: foram estudados 139 pacientes (130 mulheres e nove homens) com média de idade de 41 anos e submetidos a 233 operações. O IMC médio no momento da cirurgia plástica foi de 27,44Kg/m2. A média de perda de peso foi de 47,02Kg e a média de IMC máximo foi de 45,17Kg/m2. O tempo médio entre a cirurgia bariátrica e a cirurgia plástica foi de 42 meses. As comorbidades antes da cirurgia plástica mais importantes foram: hipertensão arterial (11,5%), artropatia (5,4%), diabetes mellitus (5%) e síndrome metabólica (4,3%) (p<0,01). Dos 139 pacientes operados, 76,97% foram submetidos à abdominoplastia seguida de mamoplastia (42,46%), ritidoplastia (17,27%) e braquioplastia (13,67%). Quatorze (13,08%) pacientes foram submetidos à herniorrafia combinada à abdominoplastia. Abdominoplastia em âncora foi feita em 19,42%. A taxa de complicações pós-operatórias foi de 26,65%.
CONCLUSÃO: o perfil epidemiológico dos pacientes pós-bariátricos que foram submetidos a cirurgia plástica foi semelhante ao relatado na literatura, exceto pela baixa taxa de cirurgias associadas e complicações pós-operatórias. A cirurgia plástica nos pacientes pós-bariátricos gerou uma melhora da qualidade de vida na maioria desses pacientes.


Palavras-chave: Cirurgia Bariátrica. Cirurgia Plástica. Abdominoplastia. Complicações Pós-Operatórias.

Análise comparativa da função pulmonar em mulheres submetidas à colecistectomia laparoscópica convencional e por portal único

Pulmonary function in women: comparative analysis of conventional versus single-port laparoscopic cholecystectomy

Marisa de Carvalho Borges; Aline Borges Gouvea; Stephania Ferreira Borges Marcacini; Paulo Fernando de Oliveira; Alex Augusto da Silva; Eduardo Crema, TCBC-MG

Rev. Col. Bras. Cir. 2018;45(2):1-10; e1652

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OBJETIVO: avaliar a função pulmonar, através da capacidade vital forçada (CVF) e volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1), e a relação VEF1/CVF% de mulheres submetidas à colecistectomia laparoscópica convencional e por portal único, antes e 24 horas depois do procedimento.
MÉTODOS: quarenta mulheres com colelitíase sintomática, com idades entre 18 e 70 anos, participaram do estudo. As pacientes foram distribuídas em dois grupos: 21 pacientes foram submetidas à colecistectomia laparoscópica convencional e 19 à colecistectomia laparoscópica por portal único.
RESULTADOS: nos dois grupos submetidos aos procedimentos cirúrgicos os valores espirométricos da CVF e da VEF1 no pós-operatório foram inferiores aos valores obtidos no pré-operatório, com redução maior no grupo submetido à colecistectomia laparoscópica convencional. Quanto aos valores da VEF1/CVF (%) não houve diferença estatisticamente significativa em nenhum dos grupos ou tempos analisados.
CONCLUSÃO: houve maior declínio na CVF e no VEF1 no pós-operatório do grupo de pacientes submetidas à colecistectomia laparoscópica convencional.


Palavras-chave: Colelitíase. Colecistectomia Laparoscópica. Testes de Função Respiratória. Função Pulmonar. Mulheres.

Avaliação hemodinâmica de pacientes idosos durante colecistectomia vídeo-laparoscópica

Hemodynamic evaluation of elderly patients during laparoscopic cholecystectomy

Luiz Paulo Jacomelli Ramos, TCBC-RJ; Rodrigo Barcellos Araújo; Maria do Carmo Valente Castro; Maria Roberta Meneguetti Seravalli Ramos; José Antonio Cunha-e-Silva; Antonio Carlos Iglesias, ECBC-RJ

Rev. Col. Bras. Cir. 2018;45(2):1-7; e1659

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OBJETIVO: demonstrar as alterações hemodinâmicas durante a colecistectomia laparoscópica em pacientes idosos com auxílio da ecocardiografia trans-esofágica
MÉTODOS: foram estudados trinta e um pacientes idosos (com 60 anos de idade ou mais), ASA I ou II, submetidos à colecistectomia laparoscópica eletiva, sob anestesia geral padronizada, com aferição de parâmetros cardiovasculares através de ecocardiograma trans-esofágico em três momentos diferentes: antes do pneumoperitônio (T1), após a insuflação do CO2 (T2) e na desinsuflação (T3). As variações da pressão arterial sistólica, diastólica e média, da frequência cardíaca, do débito e do índice cardíaco, e da fração de ejeção foram avaliadas estatisticamente.
RESULTADOS: apesar de pequenas, somente as variações da pressão arterial diastólica (PAD) e da fração de ejeção (FE) foram estatisticamente significativas. A PAD, em mmHg, nos diferentes momentos, de acordo com a média e desvio padrão, foram: T1=67,5±10,3; T2=73,6±12,4; T3=66,7±9,8. E para a FE, em porcentagem (%), nos diferentes momentos, de acordo com média e desvio padrão, foram: T1=66,7±10,4; T2=63,2±9,9; T3=68,1±8,4. Não houve correlação estatística entre as variações hemodinâmicas, a idade e número de comorbidades dos pacientes.
CONCLUSÃO: a colecistectomia laparoscópica causa poucas alterações hemodinâmicas que são bem toleradas pela maioria dos pacientes idosos; o comprometimento prévio da função ventricular representa ameaça em pacientes idosos durante a cirurgia; parece haver menor efeito hemodinâmico causado pelo pneumoperitônio do que pelo posicionamento do paciente em Trendelemburg reverso durante a cirurgia.


Palavras-chave: Pressão Arterial. Hemodinâmica. Ecocardiografia Transesofagiana. Idoso. Laparoscopia. Pneumoperitônio Artificial.

Fatores preditores de complicações da drenagem de tórax em pacientes vítimas de trauma

Predictors of chest drainage complications in trauma patients

p>Cecília Araújo Mendes; Elcio Shiyoiti Hirano, TCBC-SP

Rev. Col. Bras. Cir. 2018;45(2):1-6; e1543

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OBJETIVO: identificar fatores preditores de complicações da drenagem torácica em pacientes vítimas de trauma, atendidos em um Hospital Universitário.
MÉTODOS: estudo retrospectivo de 68 pacientes submetidos à drenagem torácica pós-trauma, no período de um ano. Foram analisadas as seguintes variáveis: sexo, idade, mecanismo de trauma, índices de trauma, lesões torácicas e associadas, ambiente em que foi realizado o procedimento, tempo de permanência do dreno, grau de experiência do executor do procedimento, complicações e evolução.
RESULTADOS: a média de idade dos pacientes foi de 35 anos e o sexo masculino foi o mais prevalente (89%). O trauma contuso foi o mais frequente, com 67% dos casos, e destes, 50% por acidentes de trânsito. A média do TRISS (Trauma and Injury Severity Score) foi 98, com taxa de mortalidade de 1,4%. As lesões torácicas e associadas mais frequentes foram, respectivamente, fraturas de costelas (51%) e trauma abdominal (32%). A média de permanência do dreno foi de 6,93 dias, sendo maior nos pacientes sob ventilação mecânica (p=0,0163). A taxa de complicações foi de 26,5%, com destaque para o mau posicionamento do dreno (11,77%). A drenagem hospitalar foi realizada, em 89% dos casos, por médicos do primeiro ano de especialização. A drenagem torácica realizada no atendimento pré-hospitalar apresentou nove vezes mais chances de complicações (p=0,0015).
CONCLUSÃO: os fatores preditores de complicações para drenagem torácica pós-trauma foram: procedimento realizado em local adverso e ventilação mecânica. A alta taxa de complicações demonstra a importância dos protocolos de cuidados com a drenagem torácica.


Palavras-chave: Traumatismos Torácicos. Drenagem. Complicações Pós-Operatórias.

Perfil do residente de Cirurgia Geral: quais as mudanças no Século XXI?

Profile of the General Surgery resident: what are the changes in the 21st Century

Samir Rasslan, TCBC-SP; Mariana Sousa Arakaki; Roberto Rasslan, TCBC-SP; Edivaldo Massazo Utiyama, TCBC-SP

Rev. Col. Bras. Cir. 2018;45(2):1-7; e1706

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OBJETIVO: verificar o perfil dos residentes de Cirurgia Geral do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
MÉTODOS: foram avaliados os residentes aprovados no concurso do Programa de Residência Médica em Cirurgia Geral do HC-FMUSP nos anos de 2014, 2015 e 2016. O estudo foi realizado por meio de coleta de dados de questionário e informações obtidas da Comissão de Residência Médica da Instituição. Foram analisados: dados da identificação, origem do candidato, escola da graduação, ensino cirúrgico recebido, razão da escolha pela Cirurgia, expectativas na residência, escolha da especialidade futura e pretensões ao término da residência médica. Também foi analisado o resultado do exame de acesso às especialidades.
RESULTADOS: a média de idade foi de 25,8 anos, sendo 74,3% do sexo masculino. A maioria (84,4%) cursou a graduação em escolas públicas, sendo 68% no Sudeste; 85,2% dos residentes foram aprovados no primeiro concurso. A escolha da especialidade estava definida em 75,9% no início da residência, porém 49,5% mudaram ao longo do treinamento. Cirurgia Plástica, Urologia e Cirurgia do Aparelho Digestivo foram escolhidas por 61,5%. Consideraram adequadas as 60 horas semanais 83,3%. Eram favoráveis ao acesso direto à especialidade 27,3%. Ao término da especialidade, 53,3% pretendiam continuar em São Paulo e 26,2% retornar ao Estado de origem. A pósgraduação stricto sensu era pretendida por 68,3%.
CONCLUSÃO: o perfil atual do residente revela redução na procura pela Cirurgia Geral, definição mais precoce da especialidade, opções por áreas cada vez mais específicas e uma atividade que ofereça melhor qualidade de vida.


Palavras-chave: Internato e Residência. Educação Médica. Especialidades cirúrgicas. Escolha da Profissão.

Fatores preditivos da perda de seguimento de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica

Predictors of poor follow-up after bariatric surgery

Giselle de Queiroz Menezes Batista Belo; Luciana Teixeira de Siqueira; Djalma A. Agripino Melo Filho; Flávio Kreimer, TCBC-PE; Vânia Pinheiro Ramos; Álvaro Antônio Bandeira Ferraz, TCBC-PE

Rev. Col. Bras. Cir. 2018;45(2):1-8; e1779

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OBJETIVO: identificar os fatores preditivos da perda de seguimento de pacientes submetidos à derivação gástrica em Y de Roux e gastrectomia vertical num período de 48 meses.
MÉTODOS: estudo de coorte, retrospectivo, no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2012. Treze variáveis foram analisadas e comparadas à perda de seguimento.
RESULTADOS: entre os 559 pacientes estudados, verificou-se grande redução na frequência (43,8%) às consultas a partir do segundo ano de pós-operatório com uma perda significativa no quarto ano (70,8%). Na análise univariada, apenas a variável "excesso de peso" esteve associada à perda de seguimento. A proporção de excesso de peso (>49,95kg) foi maior no grupo de seguimento com maior perda (>3) (p=0,025). Na regressão logística, os pacientes expostos a um maior excesso de peso (>49,95kg) apresentavam um risco duas vezes maior para perda de seguimento (>3 perdas) (OR=2,04; 1,15-3,62; p=0,015). Na análise univariada, no 48º mês do seguimento pós-operatório, apenas a variável mesorregião de procedência esteve associada à perda de seguimento (p=0,012).
CONCLUSÃO: houve uma perda de seguimento progressiva a partir do segundo ano pós-operatório. Entre os fatores analisados, apenas a variável "excesso de peso" maior do que 49,95kg no pré-operatório esteve associada à perda de seguimento médico-cirúrgico. No 48º mês do período pós-operatório houve uma maior prevalência de perda de seguimento médico-cirúrgico para os pacientes fora do perímetro da cidade do Recife (51%, p=0,052).


Palavras-chave: Obesidade. Cirurgia Bariátrica. Derivação Gástrica. Perda de Seguimento.

Emprego de um algoritmo na escolha de técnicas de abdominoplastia

Use of an algorithm in choosing abdominoplasty techniques

Júlio Wilson Fernandes, TCBC-PR; Renata Damin; Marcos Vinícius Nasser Holzmann; Gabriel Gomes de Oliveira Ribas

Rev. Col. Bras. Cir. 2018;45(2):1-8; e1394

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OBJETIVO: validar um algoritmo para a escolha da técnica cirúrgica de abdominoplastia, entre as cinco abordagens consagradas na literatura, de acordo com as características da parede abdominal.
MÉTODO: estudo retrospectivo de 245 pacientes submetidos à abdominoplastias, em que o método de escolha da técnica cirúrgica teve como ferramenta o algoritmo proposto, baseado no grau de flacidez abdominal determinado por manobra bimanual. Foram estudadas suas aplicações e conveniências, bem como identificadas as complicações inerentes a cada grupo estudado.
RESULTADOS: de acordo com o algoritmo empregado, a técnica mais frequentemente eleita foi a "Técnica IV" (dermolipectomia transversa à Pitanguy - ou com incisão de Baroudi-Kepke), em 25,71% dos casos. A "Técnica I" (miniabdominoplastia) demonstrou a menor incidência e a menor taxa de complicações. A "Técnica III", dermolipectomia com cicatriz vertical remanescente, ao contrário, apresentou maior incidência de complicações, requerendo extrema cautela na sua indicação, particularmente frente às expectativas dos pacientes quanto à cicatriz resultante e seus aspectos legais. Entre todas as condutas, a complicação mais frequente foi o seroma, com 10,2% de ocorrência entre os 245 casos operados, resolvido pela simples aspiração com seringa, e uso de malha compressiva elástica.
CONCLUSÃO: o algoritmo proposto contribuiu para facilitar a escolha das técnicas na abdominoplastia, oferecendo resultados satisfatórios, que se alinham com as taxas de complicações publicadas na literatura mundial.


Palavras-chave: Abdominoplastia. Lipectomia. Parede Abdominal. Cirurgia Plástica.

Estado inflamatório e nutricional em pacientes submetidos à ressecção cirúrgica de tumores do trato gastrointestinal

Inflammatory and nutritional statuses of patients submitted to resection of gastrointestinal tumors

Ana Valéria Gonçalves Fruchtenicht; Aline Kirjner Poziomyck; Audrey Machado dos Reis; Carlos Roberto Galia; Georgia Brum Kabke; Luis Fernando Moreira, TCBC-RS

Rev. Col. Bras. Cir. 2018;45(2):1-11; e1614

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OBJETIVO: avaliar a associação entre o estado nutricional e inflamatório em pacientes com câncer do trato gastrointestinal submetidos à ressecção cirúrgica e identificar variáveis preditoras de mortalidade nestes pacientes.
MÉTODOS: estudo prospectivo de 41 pacientes com câncer do trato gastrointestinal submetidos à cirurgia entre outubro de 2012 e dezembro de 2014. O estado nutricional foi avaliado por métodos subjetivos e objetivos. A resposta inflamatória e o prognóstico foram avaliados através do Escore Prognóstico de Glasgow modificado (mGPS), razão Neutrófilo/Linfócito (NLR), Índice Nutricional Prognóstico de Onodera (mPNI), Índice Inflamatório Nutricional (INI) e razão Proteína C-reativa/Albumina (mPINI).
RESULTADOS: metade dos pacientes estava desnutrida e 27% apresentavam-se em risco nutricional. Associação positiva foi encontrada entre percentual de perda de peso (%PP) e os marcadores NLR (p=0,047), mPINI (p=0,014) e INI (p=0,015) e os níveis séricos de albumina (p=0,015), INI (p=0,026) e mPINI (p=0,026) se associaram significativamente às categorias da ASG-PPP. Na análise multivariada, a albumina foi o único marcador inflamatório independentemente relacionado ao óbito (p=0,004).
CONCLUSÃO: marcadores inflamatórios foram significativamente associados com a desnutrição, demonstrando que quanto maior a resposta inflamatória, piores foram os escores da ASG-PPP (B e C) e maior o %PP nesses pacientes. No entanto, mais estudos, com o objetivo de melhorar resultados cirúrgicos e determinar o papel desses marcadores como preditores de mortalidade são necessários.


Palavras-chave: Neoplasias Gastrointestinais. Estado Nutricional. Inflamação. Mortalidade.

Percepção da imagem corporal em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica

Perception of body image by patients undergoing bariatric surgery

Rosana Maria Resende Lacerda; Christiane Ramos Castanha; Alessandra Ramos Castanha; Josemberg Marins Campos, TCBC-PE; Álvaro Antônio Bandeira Ferraz, TCBC-PE; Lucio Vilar

Rev. Col. Bras. Cir. 2018;45(2):1-8; e1793

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OBJETIVO: investigar as mudanças sofridas na percepção da imagem corporal em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, avaliando a acurácia/inacurácia na estimativa do tamanho corporal e a satisfação/insatisfação com os corpos após a cirurgia.
MÉTODOS: pesquisa foi realizada no ambulatório de Cirurgia Geral do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco. Participaram 36 pacientes com idade a partir de 18 anos submetidos à cirurgia bariátrica. Foram realizados estudos transversal e quantitativo com a utilização da Escala de Figuras de Silhuetas.
RESULTADOS: na análise descritiva do escore de distorção e insatisfação dos pacientes com a imagem corporal, percebeu-se que a média da distorção foi positiva (média= 6,43kg/m2), indicando que a maioria das pessoas se vê maior do que realmente é. Em contrapartida, na insatisfação foi encontrada uma média negativa (média= -6,91kg/m2), indicando que a maioria dos pacientes avaliados tem como "meta" um IMC menor do que aquele apontado como atual (ou seja, gostaria de ter uma silhueta menor). Quanto à satisfação com o tamanho da silhueta, apenas 11,8% das mulheres gostaram do resultado pós-cirúrgico, enquanto que entre os homens houve 50% de satisfação.
CONCLUSÃO: embora a cirurgia bariátrica tenha diminuído significativamente o IMC, os pacientes apresentaram, em sua maioria, insatisfação com o peso corporal, percebendo-o maior do que realmente era, caracterizandose, assim, uma inacurácia perceptiva.


Palavras-chave: Percepção. Imagem Corporal. Satisfação do Paciente. Índice de Massa Corporal. Cirurgia Bariátrica.

Artigo de Revisão

Transplante de microbiota fecal no tratamento da infecção por Clostridium difficile: estado da arte e revisão de literatura

Fecal microbiota transplantation in the treatment of Clostridium difficile infection: state of the art and literature review

Bruno Amantini Messias, TCBC-SP.; Bárbara Freitas Franchi; Pedro Henrique Pontes; Daniel Átila de Andrade Medeiros Barbosa; César Augusto Sanita Viana

Rev. Col. Bras. Cir. 2018;45(2):1-10; e1609

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A infecção por Clostridium difficile é uma complicação comum após a disbiose intestinal ocasionada pelo uso abusivo de antibióticos. Apresenta elevada importância médica devido às altas taxas de recorrência e morbidade. O transplante de microbiota fecal é uma alternativa eficaz para o tratamento da infecção recorrente e refratária pelo C. difficile e consiste na introdução da microbiota intestinal de um doador saudável em um paciente portador desta infecção. O mecanismo fisiológico exato pelo qual o transplante de microbiota fecal altera a microbiota intestinal não está tão bem estabelecido, mas é evidente que restaura a diversidade e a estrutura da microbiota promovendo aumento da resistência à colonização pelo C.difficile. Diversas vias de administração do transplante estão sendo estudadas e utilizadas de acordo com as vantagens apresentadas. Todas as formas de aplicação apresentaram elevada taxa de cura, sendo a via colonoscópica a mais utilizada. Não foram documentados complicações e efeitos adversos relevantes, e seu custo benefício em relação ao tratamento convencional se mostrou vantajoso. Apesar da sua eficácia é pouco utilizado como terapia inicial, sendo necessários mais estudos para firmar essa terapêutica como primeira opção no caso de infecção por Clostridium difficile refratária e recorrente.


Palavras-chave: Transplante de Microbiota Fecal. Clostridium difficile. Enterocolite Pseudomembranosa. Antibacterianos.

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